Em carta, banqueiros globais defendem Jerome Powell e criticam pressão política nos EUA

Carta fala sobre a independência dos bancos centrais e ressalta solidariedade ao chefe do Fed.

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Publicado em 13/01/2026 às 11:30h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 13/01/2026 às 11:30h Atualizado 1 minuto atrás por Wesley Santana

Nesta terça-feira (13), um grupo de banqueiros globais emitiu uma carta em defesa do presidente do Fed (Banco Central dos Estados Unidos). O documento foi publicado depois que foi iniciada uma investigação criminal contra Jerome Powell.

A carta publicada pelos presidentes de outros bancos centrais ao redor do mundo fala sobre a independência das autarquias monetárias. Assinam o documento nomes importantes como a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, e o governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, além do par brasileiro, Gabriel Galípolo.

“Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu presidente Jerome H. Powell”, disseram. “A independência dos bancos centrais é uma pedra angular da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos que servimos. Portanto, é fundamental preservar essa independência, com pleno respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática”, acrescentaram.

Na véspera, Jerome informou que promotores federais abriram uma investigação sobre uma reforma na sede do BC, em Washington, que teria custado US$ 2,5 bilhões. No entanto, a iniciativa surgiu como uma espécie de pressão de Trump, que está insatisfeito com o atual chefe da entidade.

“Powell tem atuado com integridade, focado em seu mandato e com um compromisso inabalável com o interesse público. Para nós, ele é um colega respeitado, que é altamente estimado por todos que trabalharam com ele”, continuaram os banqueiros.

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Depois que soube da abertura do processo de investigação, Powell publicou um vídeo no qual detalha o caso. Segundo ele, o processo é resultado da frustração de Trump, que não conseguiu fazer com que o órgão reduzisse a taxa básica de juros no país.

“A ameaça de acusações criminais é uma consequência do Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que serve ao público, e não seguindo as preferências do presidente”, disse Powell em um vídeo divulgado pela conta do Fed no X (antigo Twitter).

Negociação complexa

De acordo com fontes que estiveram próximas aos banqueiros, a carta em conjunto foi negociada durante toda a tarde de segunda-feira. A ideia dos executivos era mostrar ao mercado financeiro que o par estadunidense não estava sozinho e que há um entendimento nesse grupo de que ele sofre perseguição.

Apesar dos esforços para essa postura, de acordo com o Globo, há um temor entre os banqueiros sobre a independência do BC mais importante do mundo. Isso porque o mandato de Powell termina no próximo mês de maio, e ainda não se sabe quem será indicado por Trump.