🚀 As ações da
Raízen (RAIZ4) voltaram aos holofotes do mercado nesta quarta-feira (28) após uma disparada expressiva na B3. Os papéis chegaram a subir mais de 18% no intraday e reconquistaram o patamar de R$ 1, nível que não era visto desde o início de outubro de 2025.
O movimento marca uma recuperação relevante depois de cerca de três meses negociando abaixo desse valor simbólico.
Por volta das 14h, as ações avançavam 17,78%, cotadas a R$ 1,06, figurando entre as maiores altas do dia no
Ibovespa.
A reação positiva reflete uma combinação de fatores macroeconômicos e corporativos que ajudaram a melhorar o humor dos investidores com o papel.
Um dos principais gatilhos foi a queda dos juros futuros, que beneficia diretamente empresas mais alavancadas.
Com um modelo de negócios intensivo em capital, a Raízen sofreu nos últimos trimestres com o ciclo prolongado de juros elevados, que encareceu o custo da dívida justamente em um momento de margens pressionadas no setor de combustíveis.
Ao fim do último período reportado, a companhia apresentava dívida líquida de R$ 53,437 bilhões, com alavancagem financeira medida pela relação dívida líquida/Ebitda em 5,1 vezes, patamar considerado elevado e que vinha pesando sobre a percepção de risco do mercado.
Além do alívio no cenário de juros, investidores reagiram a informações sobre a estruturação de um possível aumento de capital, estimado entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão.
Embora ainda não confirmado oficialmente, o movimento é visto como uma alternativa para reforçar o balanço, reduzir a alavancagem e dar mais fôlego financeiro à companhia no médio prazo.
Outro fator que contribuiu para o bom desempenho foi uma notícia envolvendo desinvestimentos. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica autorizou a Bioenergia Barra, controlada indiretamente pela Raízen, a vender a empresa Bio Polares.
A operação envolve uma central de minigeração de eletricidade movida a biogás no Aterro Sanitário Dois Arcos, em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro.
A compradora é a GNR Dois Arcos Valorização de Biogás, também conhecida como GDA, que atua na produção de biometano a partir do biogás gerado no próprio aterro.
O valor da transação não foi divulgado, mas o aval regulatório reforça a estratégia da Raízen de otimizar o portfólio de ativos e destravar valor por meio de ajustes seletivos.
Controlada pela Cosan, a Raízen atravessa um período de reavaliação estratégica, em que o mercado acompanha de perto iniciativas voltadas à redução do endividamento, à melhoria da estrutura de capital e à disciplina financeira.
A forte alta desta quarta-feira indica que, ao menos no curto prazo, os investidores voltaram a comprar essa narrativa.
Apesar do rali, analistas seguem cautelosos e ressaltam que a sustentabilidade da recuperação dependerá da confirmação de medidas concretas para desalavancagem, além de um ambiente macroeconômico mais favorável.
📈 Ainda assim, o retorno ao nível de R$ 1 devolve visibilidade ao papel e recoloca a Raízen no radar de muitos investidores.