“Brazileiração”: The Economist critica modelo fiscal e previdenciário do Brasil

Publicação vê risco de espiral de dívida e juros; austeridade fiscal é vista como difícil em ano eleitoral

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Publicado em 13/02/2026 às 14:25h - Atualizado 4 minutos atrás Publicado em 13/02/2026 às 14:25h Atualizado 4 minutos atrás por Wesley Santana
Fundada em 1843, The Economist está sediada no Reino Unido (Imagem: Shutterstock)
Fundada em 1843, The Economist está sediada no Reino Unido (Imagem: Shutterstock)

Em artigo publicado nesta quinta-feira (12), a revista The Economist usou o Brasil como um exemplo negativo. A reportagem diz que os países ricos deveriam temer uma eventual “brasileirização”, como definiu os problemas fiscais do país.

Com esse termo, a revista se refere aos juros elevados que corrigem a dívida pública anual do Brasil. Além disso, inclui o aumento das aposentadorias no mesmo balaio, dizendo que é um problema que o país deve enfrentar nos próximos anos.

“Sua dívida líquida de 66% do PIB (Produto Interno Bruto) é alta para os padrões de mercado emergente, mas baixa para os do mundo rico”, destacou. A projeção de entidades internacionais é que o indicador alcance a casa de 99% até o ano de 2030.

A revista diz que a austeridade fiscal seria uma das saídas para resolver a situação, que se complica a cada ano. No entanto, diz que, em ano eleitoral, há quase nenhuma chance de ajuste severo no curto prazo.

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"Pode parecer dolorosamente difícil, em um mundo populista, ao mesmo tempo, prometer baixa inflação e gastar menos com os idosos. Mas isso não é nada comparado à escolha agonizante que se aproxima do Brasil: entre uma austeridade profunda e uma espiral aterradora de juros e dívida."

A publicação também comenta sobre o modelo previdenciário do país, que é diferente de outros países. Destaca, por exemplo, que quase 10% do PIB é destinado ao pagamento de pensões, o que projeta um gasto superior ao de países ricos até 2050.

"Ainda assim, as pensões são protegidas na Constituição, que, por exemplo, determina que, quando o salário mínimo sobe, os aposentados também recebam mais. O controle extraordinário dos pensionistas sobre o orçamento dificulta o equilíbrio das contas e também desloca outros gastos mais valiosos."

Por fim, também cita o cenário político, com a tentativa de golpe impetrada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro depois da última eleição. “Apesar de desfrutarem de proteções formais como a independência do Banco Central e a separação dos poderes, as instituições brasileiras são instáveis — e oscilaram durante a tentativa de golpe do presidente Jair Bolsonaro em 2022.”

A The Economist é uma das revistas econômicas mais prestigiadas do mundo, com milhões de leitores semanais. O Brasil está sempre presente nas análises da publicação, que avalia tanto o governo quanto as empresas em nível global.

Em agosto do ano passado, abordou a tentativa de Donald Trump com a imposição do tarifaço contra o Brasil, destacando que foi “um tiro no pé”. Na época, o presidente norte-americano impôs uma tarifa especial a Brasília como forma de coação no contexto do julgamento de Bolsonaro.