Brasil tomará todas as medidas cabíveis para se defender das tarifas, diz Lula

Um dia depois do anúncio de tarifas recíprocas pelos EUA, Lula prometeu reagir a qualquer tentativa de protecionismo.

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Publicado em 03/04/2025 às 14:20h - Atualizado 2 horas atrás Publicado em 03/04/2025 às 14:20h Atualizado 2 horas atrás por Marina Barbosa
Um dia após anúncio das tarifas, Lula lançou campanha "O Brasil é dos brasileiros" (Imagem: Ricardo Stuckert/Presidência)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (3) que o governo vai tomar "todas as medidas cabíveis" para proteger as empresas e os trabalhadores brasileiros das tarifas impostas pelos Estados Unidos

🗣️ "Defendemos o multilateralismo e o livre comércio. E responderemos a qualquer tentativa de impor protecionismo, o que não cabe mais no mundo de hoje", declarou Lula, ao discursar em um evento que marcou os dois anos do seu governo e o lançamento da campanha "O Brasil é dos brasileiros".

Segundo ele, a resposta às tarifas americanas será pautada nas diretrizes da OMC (Organização Mundial do Comércio) e na Lei da Reciprocidade Comercial, aprovada nesta semana pelo Senado e pela Câmara dos Deputados em resposta às tarifas americanas.

O projeto permite que o Brasil adote medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras para as exportações brasileiras. Logo, deve permitir uma reação às tarifas americanas e também às exigências ambientais que a União Europeia tenta impor ao agronegócio brasileiro.

No discurso desta quinta-feira (2), Lula disse que o Brasil "fala de igual para igual e respeita todos os países, dos mais pobres aos mais ricos, mas que exige reciprocidade no tratamento".

"[O Brasil] não abre mão de sua soberania e não bate continência para nenhuma bandeira que não seja a bandeira verde e amarela", disparou Lula, sob aplausos da plateia.

O presidente brasileiro já havia dito que o governo deveria recorrer à OMC e, se necessário, reagir às tarifas prometidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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Tarifas recíprocas

Conforme prometido, Trump anunciou nessa quarta-feira (2) "tarifas recíprocas" a 185 países, que, na avaliação do governo americano, mantinham uma relação comercial desigual com os Estados Unidos.

💲 As taxas vão de 10% a 49%. O Brasil ficou com a tarifa mínima de 10%. Por isso, analistas avaliam que o país será afetado negativamente pela medida, mas não tanto quanto outros e, por isso, pode tentar abrir novos espaços no comércio internacional.

O Brasil, no entanto, já havia sido afetado pela tarifa de 25% imposta por Trump sobre o aço e alumínio. Além disso, os Estados Unidos vão taxar em 25% a importação de automóveis.

Por isso, o governo brasileiro disse, em nota, que o tarifaço de Trump "viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA".

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Para o Brasil, tarifa "não reflete a realidade"

O governo federal disse ainda que os Estados Unidos vêm registrando "recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos".

📊 Por isso, avaliou que "a imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a 'reciprocidade comercial' não reflete a realidade".

Diante disso, o Executivo reforçou em nota que "buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos".

O governo, contudo, não descarta uma negociação com os Estados Unidos. Afinal, a Casa Branca deu sinais de que poderia rever as taxas depois do anúncio dessa quarta-feira (2) e já teve alguns contatos com representantes brasileiros.

"Ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos legítimos interesses nacionais", conclui a nota do governo federal.